BRUNNA SALVINO | DE CAMPO GRANDE
Em entrevista ao Midiamax, a senadora Soraya Thronicke (PSB), candidata à reeleição, afirmou que mudou “quase nada” desde 2018 e que continua defensora do combate à corrupção (vídeo abaixo). Sua atuação no Senado, porém, acumula episódios que contrastam com o discurso.
Eleita na onda bolsonarista, Soraya rompeu com Jair Bolsonaro e, a partir de 2023, aproximou-se da base do governo Lula. Na CPMI do INSS, votou contra convocar personagens ligados ao presidente.
Na CPI das Bets, foi questionada pela relação com um lobista investigado. Em outra comissão parlamentar de inquérito, do Crime Organizado, a parlamentar tentou envolver o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no caso do Banco Master.
Blindagem na CPMI do INSS
Em outubro de 2025, Soraya votou contra a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (ver aqui).
Na CPI das Bets, foi questionada pela relação com um lobista investigado
Investigada no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários, a entidade teria movimentado R$ 1,2 bilhão em seis anos. Mesmo assim, os 11 requerimentos para ouvir Frei Chico foram rejeitados por 19 votos a 11. Soraya integrou a maioria alinhada ao governo.
A senadora também acompanhou posições governistas em deliberações envolvendo o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi e o presidente do Sindnapi.
Em dezembro, a CPMI rejeitou por 19 votos a 12 a convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Embora titular, Soraya não registrou voto, após já ter atuado contra a convocação de Frei Chico (ver aqui).
Em fevereiro de 2026, durante nova controvérsia sobre requerimentos envolvendo Lulinha, ela contestou a votação simbólica conduzida pelo presidente da comissão, Carlos Viana, e acusou-o de proclamar um resultado diferente da manifestação dos parlamentares.
Em outubro de 2025, Soraya votou contra a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula
Soraya ainda se envolveu com o deputado federal Lindbergh Faria (PT) com acusação, sem provas, contra o então relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, de estupro de vulnerável. O ex-relator pediu ao Supremo Tribunal Federal a realização de exame de DNA para comparar seu material genético com o da criança mencionada nos fatos.
Relação com lobista
Outro episódio envolve Silvio Assis, lobista investigado por suspeita de exigir dinheiro de empresários das apostas em troca de proteção ou da não convocação deles pela CPI das Bets.
Segundo a revista Veja, denúncia levada à cúpula do Senado apontava que Assis teria pedido R$ 40 milhões a um empresário. O caso foi encaminhado à Polícia Federal.
Relatora da CPI, Soraya mantinha proximidade com o lobista. Ela compareceu à festa de aniversário dele, em 2022, e empregou dois de seus parentes: Silvia Barbosa de Assis, irmã de Silvio, e David Vinícius Oruê de Oliveira, genro dele. Os salários divulgados eram de aproximadamente R$ 7,2 mil e R$ 14 mil.
Soraya ainda se envolveu com o deputado Lindbergh Faria (PT) com acusação, sem provas, contra o então relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar, de estupro de vulnerável
Em dezembro de 2025, após o encerramento da CPI, Soraya e o lobista foram filmados com taças de espumante em uma loja Louis Vuitton de Orlando, nos Estados Unidos (ver aqui). A assessoria confirmou o encontro, mas não detalhou a relação. O episódio enfraqueceu a versão de que a proximidade seria apenas circunstancial.
CPI Crime Organizado
Em 18 de março deste ano, na CPI do Crime Organizado, Soraya tentou envolver o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no caso do Banco Master, usando informações falsas (ver aqui). Ela foi repreendida pelo presidente do colegiado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
“É preciso tratar com seriedade o que estamos fazendo. Estamos mexendo com gente poderosa, gente que tem muito dinheiro. Se começarmos a usar isso para briga política rasteira, é a receita do fracasso”, disse.
Contas reprovadas
A senadora é alvo também de ação no Tribunal Superior Eleitoral, onde teve as contas da campanha presidencial de 2022 reprovadas. O Ministério Público Eleitoral cobra perto de R$ 5 milhões de Soraya Thronicke.
Emendas sob fiscalização
A aplicação de R$ 17,4 milhões em “emendas Pix” indicadas por Soraya também entrou no radar dos órgãos de controle. Desse total, R$ 15,4 milhões foram destinados ao Instituto de Desenvolvimento Socioambiental.
Na CPI do Crime Organizado, Soraya tentou envolver o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no caso do Banco Master, usando informações falsas
Auditoria da Controladoria-Geral da União apontou planos de trabalho genéricos, falta de metas, extratos bancários incompletos, dificuldades de rastreamento, terceirização dos serviços e riscos de desperdício, má aplicação e sobrepreço.
Outros R$ 2 milhões foram destinados a quatro municípios que apresentaram problemas de planejamento, documentação ou rastreabilidade.





















