BRUNNA SALVINO | DE BRASÍLIA
Quem já foi convidado por um parente, amigo ou colega de alguma entidade representativa de classe para participar de uma reunião política durante o período eleitoral sabe como costuma ser a experiência. Em geral, não é das mais agradáveis. Uns torcem o nariz; outros deixam claro que só comparecerão por conta da “amizade”.
É fato, porém, que esses encontros podem ser uma importante oportunidade para o eleitor conhecer melhor os candidatos e fazer uma escolha mais consciente de seus representantes.
Há concorrentes que, mesmo em ambientes inicialmente pouco receptivos, conseguem conquistar a atenção e até ganhar apoiadores. Para isso, precisam convencer os eleitores de que serão representantes capazes de cumprir o que prometem e, sobretudo, de manter distância da corrupção e de outros desvios éticos e morais.
Esses encontros podem ser uma importante oportunidade para o eleitor conhecer melhor os candidatos
Um exemplo é Gianni Nogueira, 43 anos, mãe de três filhos, advogada, produtora rural e vice-prefeita de Dourados. Casada com o deputado federal Rodolfo Nogueira, conhecido como “Gordinho do Bolsonaro”, ela é oriunda de uma família religiosa e começou a frequentar a igreja aos sete anos, levada pelos pais.

Toca piano e violão, canta e é ministra de louvor da Igreja Comunidade Tempo de Vida, em Dourados, onde também desenvolve trabalhos voluntários, entre eles o acolhimento de crianças vítimas de abuso sexual.
Ideias claras; propostas viáveis
A reportagem do MS em Brasília acompanhou, de maneira anônima, três reuniões de Gianni Nogueira em Campo Grande com o objetivo de retratar, com a maior fidelidade possível, o perfil da candidata a uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Também ouviu alguns dos participantes para saber qual foi a impressão deixada pela candidata ao falar sobre política, representatividade e os problemas enfrentados pela população.
“Fiquei encantada. Ela fala de política de uma maneira que faz a gente compreender a importância de participar da vida pública para escolhermos melhor nossos representantes”, afirma a aposentada Silvia Gomes.
“Fiquei encantada. Ela fala de política de uma maneira que faz a gente compreender a importância de participar da vida pública” – Silvia Teixeira
A autônoma Eliete Teixeira, que participou de uma reunião a convite de um sobrinho, teve impressão semelhante.
“É uma mulher de direita, mas com uma visão ampla sobre o papel e o dever de um político, de um representante do povo. Ela defende bandeiras que também são importantes para mim, como a proteção das crianças, da família e da liberdade, além de se posicionar contra os velhos modelos de fazer política”, afirma.

Na primeira reunião acompanhada pela reportagem, um episódio chamou a atenção. Ao concluir sua fala, Gianni provocou certo lamento entre alguns participantes, que pareciam querer ouvir mais. Entre eles estava a empresária do ramo de comunicação Rose Vicente.
Segundo ela, o conteúdo apresentado pela candidata despertou tanto interesse que o tempo passou sem que percebesse.
“Quando alguém fala a verdade e aborda aquilo que as pessoas realmente precisam ouvir, consegue prender a atenção. Ela demonstra domínio sobre vários assuntos e a gente percebe que não está falando apenas por falar. Existe uma intenção, uma convicção por trás do que ela apresenta”, afirma Rose.

“Ela demonstra domínio sobre vários assuntos e a gente percebe que não está falando apenas por falar” – Rose Vicente
O jovem Nicolas Franco, de 24 anos, também destacou as propostas da candidata e afirmou considerá-la “muito preparada” e “engajada” nas causas sociais, especialmente nas políticas voltadas às crianças, aos adolescentes e à juventude.
“Gostei muito. Ela é tudo aquilo que falavam sobre sua capacidade de comunicar o que deseja fazer caso seja eleita deputada”, elogiou.

Proteção às crianças
Gianni Nogueira reconhece avanços nas políticas públicas de Mato Grosso do Sul voltadas à proteção das mulheres e das crianças, mas faz ressalvas em relação ao atendimento especializado às vítimas de abuso sexual.
Segundo ela, uma criança vítima de violência pode passar por diferentes profissionais durante o atendimento — agentes de polícia, delegado, médicos e enfermeiros —, mas nem sempre conta com aquilo que considera fundamental: o acompanhamento de um psicólogo.
“Imagine uma criança passar por todas essas etapas, reviver o que aconteceu e não ter o acompanhamento de um profissional de psicologia. Como podemos esperar que ela consiga lidar com tudo isso?”, questiona.
Para Gianni, um dos principais problemas nas ações de proteção e prevenção está justamente na capacidade de ouvir a criança, compreender o que ela tem a dizer e, principalmente, fazer com que se sinta protegida.
“Precisamos cuidar melhor do futuro das nossas famílias”, resume a candidata, em conversa com o MS em Brasília, no escritório de campanha, em Campo Grande.
Gianni Nogueira reconhece avanços nas políticas públicas de Mato Grosso do Sul voltadas à proteção das mulheres e das crianças
A comunicação como ferramenta
A modéstia faz com que Gianni não aceite facilmente os elogios à sua capacidade de comunicação. Ela atribui boa parte dessa habilidade à experiência adquirida na igreja, especialmente nas atividades de pregação do Evangelho.

Além de missionária, participa como voluntária de diferentes ações sociais. “Se o projeto é bom, pode me chamar. Vou procurar ajudar de alguma maneira, porque isso faz parte da minha vida”, afirma.
Durante as reuniões, Gianni fala de política sem transformar adversários em alvo. A estratégia fica ainda mais evidente quando aborda políticos tradicionais, com vários mandatos, e aqueles que, segundo ela, aparentam estar em busca de novas eleições para ampliar espaços de poder e negociação política.
“Prefiro concentrar minha campanha nas propostas que tenho e naquilo que posso fazer para que essas parcelas da população tenham voz ativa na Assembleia. O eleitor tem o direito de escolher seus representantes. Cabe a ele avaliar quem está apresentando propostas e quem está apenas reproduzindo os velhos modelos da política”, afirma.
Durante as reuniões, Gianni fala de política sem transformar adversários em alvo
A proximidade com Bolsonaro
Sobre a proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, Gianni conta que o contato com a família começou em janeiro de 2015, quando ela e o marido o encontraram em uma praia na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
“Vimos o então deputado federal Jair Bolsonaro passar correndo na nossa frente e saímos feito loucos atrás dele. A partir dali, ele veio conversar conosco e contamos de onde éramos”, relembra.

Segundo Gianni, a relação se estreitou nos anos seguintes e Bolsonaro passou a manter contato mais próximo com a família.
“Em 2017, ele chamou o Rodolfo e pediu que ele cuidasse do PSL em Mato Grosso do Sul. Ficamos nos bastidores daquela eleição e deu tudo certo. O partido elegeu muitos aliados aqui e em outros estados”, recorda.
Gianni conta que o contato com Jair Bolsonaro começou em janeiro de 2015, quando ela e o marido o encontraram em uma praia na Barra da Tijuca
Apoios políticos
Ao comentar sobre o grupo da direita em Mato Grosso do Sul, Gianni afirma que não trabalha com meio-termo quando o assunto são apoios políticos.
A candidata manifesta apoio à reeleição do governador Eduardo Riedel, declara voto em Reinaldo Azambuja e Capitão Contar na disputa pelas duas vagas ao Senado e faz dobradinha com o marido, Rodolfo Nogueira, que disputa a reeleição para deputado federal.

Para a Presidência da República, a sul-mato-grossense afirma estar convicta da eleição de Flávio Bolsonaro, por considerá-lo o principal contraponto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Os brasileiros não podem ter dúvida na hora de votar. Há duas opções: continuar com aqueles que estão há 18 anos no poder, sem melhorar a vida dos mais pobres, ou mudar o caminho, dando uma chance a quem já provou que faz melhor”, conclui.























