LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Ex-apresentador da TV Globo, o jornalista Chico Pinheiro, de 73 anos, está em tratamento contra um câncer colorretal no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.
Em publicação feita na última sexta-feira (4), Pinheiro comentou a evolução do tratamento e demonstrou confiança na recuperação, apesar da intensa rotina de procedimentos médicos.
Apoiador declarado do presidente Lula e identificado com a esquerda, o jornalista utiliza as redes sociais para fazer críticas frequentes ao ex-presidente Jair Bolsonaro, a seus filhos e aos seus apoiadores, a quem costuma chamar de “patriotários”.

Em 12 de agosto, porém, Chico Pinheiro foi além das críticas políticas. Ao comentar uma publicação segundo a qual Flávio e Michelle Bolsonaro haviam feito orações pelo fortalecimento da saúde do ex-presidente, escreveu: “RIP!”. Em seguida, acrescentou: “E nos deixe em paz”.
A sigla “RIP”, formada pelas iniciais da expressão inglesa “Rest in Peace”, significa “descanse em paz” e é normalmente utilizada em referência a pessoas mortas. A manifestação foi interpretada como um desejo pela morte de Jair Bolsonaro.
As críticas do jornalista à família Bolsonaro são recorrentes. Em 25 de julho, Pinheiro escreveu: “E chega de mimimi: o condenado que vá pra Papuda que o p*#*#”, ao comentar outra publicação relacionada ao lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Dias antes, o jornalista havia compartilhado uma imagem apontada como falsa, na qual Flávio Bolsonaro aparecia supostamente ao lado de um homem apresentado como sicário do banqueiro Daniel Vorcaro. “Foto ao lado de capanga de Vorcaro abre nova crise na campanha de Flávio Bolsonaro”, dizia a publicação reproduzida por Pinheiro.

As postagens de Chico Pinheiro são marcadas por ataques duros a Bolsonaro e seus seguidores. O jornalista também dirige críticas frequentes às igrejas, aos fiéis cristãos e ao agronegócio brasileiro.
Em 28 de maio, afirmou que “terroristas são os golpistas do 8 de janeiro”. Ao longo desse período, também se posicionou contra a concessão de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pinheiro também critica duramente a atuação das forças de segurança. Ao comentar a operação das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro que terminou com 121 mortos em 2025, escreveu: “O responsável pela matança precisa ser julgado e condenado. Assassinatos e tortura. Há relatos até de unhas arrancadas”.

O jornalista demonstra ainda incômodo com manifestações religiosas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao se referir a Gilson da Silva Pupo Azevedo, conhecido como Frei Gilson, publicou:
“Fazer pregações facistoides nas igrejas católicas, pode. Agora, imaginemos que o tal Gilson estivesse pregando o amor livre, inclusive entre pessoas do mesmo sexo. Já teria sido excomungado pelo Vaticano e poderia estar sofrendo processos no Judiciário em nosso país”.

Em relação ao conflito no Oriente Médio, Chico Pinheiro adota discurso favorável à causa palestina, faz críticas contundentes a Israel e acusa o país de praticar genocídio contra os palestinos.
Em contraste com as manifestações contra Bolsonaro e seus aliados, o jornalista costuma demonstrar admiração por Lula. Em uma das publicações reproduzidas pelo MS em Brasília, homenageou o petista pelo aniversário: “Hoje é dia de festejar o maior líder político da história do Brasil”.























