CAMPO GRANDE
Reeleito em 2020 para administrar Campo Grande por mais quatro anos, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) deixará a prefeitura com apenas um ano e três meses no cargo, para disputar o Governo do Estado. Nessa semana, Trad encaminhou ao Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação (ACP) proposta de aumento salarial aos professores, cujas parcelas se estenderão até 2024.
Apesar de apresentar proposta, o prefeito havia informado que o município não tinha dinheiro para conceder os reajustes salariais reivindicados pela categoria, que espera a integralização do piso nacional do magistério.
O impacto financeiro cairá no colo da sua eventual sucessora, a vice-prefeita Adriane Lopes (Patriota), que pode assumir a Prefeitura com a renúncia do titular. “Infelizmente, após quatro rodadas de negociação, a prefeitura ainda não atendeu à reivindicação da categoria, mas nossa luta está avançando e seguiremos mobilizados para defender o Piso 20 horas da REME”, afirmou o presidente da ACP, professor Lucilio Nobre.
De acordo com a proposta encaminhada pelo Executivo Municipal, os professores teriam 10,06% de aumento retroativo a fevereiro, e outros 10,39% apenas no mês de novembro, ou seja, o reajuste só seria pago após Marquinhos deixar o comando da cidade para a qual foi eleito em 2020 com promessa de ficar até 2024, e caberia à sua vice a tarefa de arcar com os custos oriundos do cumprimento da lei que estabelece piso da categoria.
“A prefeitura ainda não atendeu à reivindicação da categoria” — Professor Lucilio Nobre, presidente da ACP
A proposta de Marquinhos para 2022 seria de apenas 20,45%, bem distante do pedido dos professores, que querem aumento de 36,29%, com reajustes de 5% agora em março, 20,78% em maio de 2022 e 5,06% em outubro de 2022. Na proposta da Prefeitura, a categoria teria outros quatro reajustes escalonados de 11,67%, mas só em maio e outubro de 2023, e também em maio e outubro de 2024.
“Infelizmente, em 2022, não temos as condições ideais para começar porque nosso direito não está sendo respeitado. A esperança de cada educador de Campo Grande segue viva e está sendo transformada em realidade, com a nossa luta e comprometimento. Seguimos em defesa da qualidade da educação pública e da valorização da carreira do magistério”, destacou a vice-presidente da ACP, professora Zélia Aguiar.
Marquinhos pode deixar a prefeitura no pior momento, com obras inacabadas, caos no trânsito, com ruas fechadas e situação financeira perto de atingir o chamado “limite prudencial”. Tanto é verdade que a Capital sul-mato-grossense está entre as piores cidades em relação aos indicadores fiscais, sem capacidade de endividamento, segundo dados do Tesouro Nacional.

























