COLUNA VAPT-VUPT (*)
O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) poderia surgir no cenário eleitoral como uma alternativa associada à renovação política, à competência administrativa e à determinação.
Na prática, contudo, o que tem apresentado até agora em sua pré-campanha ao Governo de Mato Grosso do Sul está longe de despertar maior interesse do eleitorado.
Mais do que isso, sua atuação tem servido muito mais para desgastar adversários da direita do que para enfrentar a esquerda. Enquanto concentra críticas ao governador Eduardo Riedel em temas pontuais e plenamente inseridos na legalidade, como a política de incentivos fiscais responsável por atrair investimentos e transformar a economia estadual, Catan praticamente ignora os adversários petistas.
O pré-candidato do PT ao governo, Fábio Trad, por exemplo, não tem sido alvo da mesma intensidade de cobranças. A mira do deputado permanece voltada quase exclusivamente para as ações do atual governo, sobretudo na área econômica.
Sua atuação tem servido muito mais para desgastar adversários da direita do que para enfrentar a esquerda
Quando amplia o foco, limita-se a questionar a destinação de recursos para publicidade institucional, algo comum em administrações que precisam comunicar programas, serviços e investimentos à população.
Até o momento, Catan também não apresentou propostas concretas capazes de convencer o eleitor a abandonar a rota considerada segura da gestão de Eduardo Riedel para embarcar em seu projeto político. Não há contrapontos consistentes às políticas implementadas nos últimos três anos e meio.
O que se vê são críticas repetitivas, ironias pontuais e discursos que geram repercussão nas redes sociais, mas sem oferecer uma visão alternativa para o futuro do Estado.
Até o momento, Catan também não apresentou propostas concretas capazes de convencer o eleitor a abandonar a rota considerada segura da gestão Riedel
A realidade política também não favorece sua estratégia. A parceria construída pelo governo estadual com os 79 municípios tem garantido uma base sólida de sustentação. Quando prefeitos se sentem abandonados, costumam se transformar em cabos eleitorais da oposição. Não é o que ocorre atualmente.
Ao contrário, a ampla maioria dos gestores municipais mantém relação institucional positiva com o Executivo estadual, criando um ambiente eleitoral desafiador para qualquer adversário.
Apesar disso, Catan parece acreditar que pode repetir a trajetória de Capitão Contar em 2022, atualmente pré-candidato ao Senado. A comparação, porém, encontra obstáculos importantes. Contar entrou na política em 2019 e se tornou o deputado estadual mais votado da história de Mato Grosso do Sul.
Catan parece acreditar que pode repetir a trajetória de Capitão Contar em 2022
Transformou-se em fenômeno eleitoral. Quando poucos apostavam em seu desempenho ao governo, superou nomes de peso como André Puccinelli (MDB), Marquinhos Trad (PV) e Rose Modesto (União) para conquistar uma vaga no segundo turno contra Eduardo Riedel. Em determinados momentos da disputa, chegou inclusive a liderar pesquisas eleitorais.
Contar construiu esse espaço por características próprias. Mesmo protagonizando embates duros, manteve uma postura considerada lúcida e direta. Apesar do estilo firme, sempre demonstrou capacidade de dialogar, inclusive com adversários políticos.
Já Catan, embora represente uma nova geração na política, carrega alguns vícios dos velhos caciques. Seu discurso frequentemente se torna repetitivo e previsível, quando não desinteressante e monótono, lembrando figuras conhecidas por longos pronunciamentos que falavam muito e entregavam pouco.
Contar construiu esse espaço por características próprias. Mesmo protagonizando embates duros, manteve uma postura considerada lúcida e direta
Em uma era marcada pela rapidez da informação e pela cobrança por resultados, insistir na mesma narrativa pode produzir desgaste em vez de crescimento. Até aqui, o deputado ainda não apresentou ao eleitorado algo que diferencie seu projeto da simples crítica ao governo.
Enquanto isso, Eduardo Riedel segue sustentado por indicadores econômicos positivos, equilíbrio fiscal, programas sociais consolidados e resultados que colocam Mato Grosso do Sul entre os estados com melhor desempenho em diversas áreas, como nível de prosperidade e qualidade de vida.
Criticar é legítimo e faz parte da democracia. No entanto, quem deseja governar precisa oferecer soluções e apresentar um projeto consistente. Até aqui, apenas apontar falhas não parece suficiente para mudar um cenário amplamente favorável à reeleição de Eduardo Riedel ainda no primeiro turno — pré-candidato, saliente-se, apoiado por Jair Bolsonaro e pelo presidenciável Flávio Bolsonaro.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público
























