LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
Além de ver o filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado pela Polícia Federal em inquéritos relacionados às fraudes no INSS, o presidente Lula (PT) terá o tema dos descontos irregulares em aposentadorias e pensões presente também na campanha presidencial de 2026.
Isso porque o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, foi escolhido para compor como vice a chapa presidencial encabeçada por Flávio Bolsonaro.
O anúncio surpreendeu parte do meio político. Havia expectativa de que a vaga fosse destinada a uma mulher, mas a direção nacional do PL optou por Alfredo Gaspar, avaliando que sua atuação firme à frente da CPMI fortalece a narrativa da legenda no combate às fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
O presidente Lula (PT) terá o tema dos descontos irregulares em aposentadorias e pensões presente também na campanha presidencial de 2026
Aos 55 anos, Alfredo Gaspar construiu carreira no Ministério Público de Alagoas, onde ingressou aos 25 anos e permaneceu por mais de duas décadas. Atuou em promotorias criminais, exerceu por dois mandatos o cargo de procurador-geral de Justiça e presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC). Também é advogado e professor universitário.
Eleito deputado federal em 2022, Gaspar vinha liderando as pesquisas para o Senado em Alagoas, em uma disputa que teria entre os principais adversários Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB).
Na Câmara dos Deputados, ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS, criada para investigar o esquema de descontos associativos irregulares em benefícios previdenciários.
Em março de 2026, apresentou um relatório com mais de 1,2 mil páginas propondo o indiciamento de mais de 200 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados ao caso.
Na Câmara dos Deputados, ganhou projeção nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS
O documento incluiu dirigentes de estatais, empresários, parlamentares e integrantes de núcleos políticos de diferentes governos, provocando fortes embates com parlamentares da base governista durante os trabalhos da comissão.
Entre os nomes citados no relatório estava o de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na ocasião, Alfredo Gaspar afirmou que as conclusões da CPMI foram fundamentadas nas provas reunidas ao longo da investigação e defendeu o encaminhamento do relatório ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal.
Apesar da repercussão, o parecer foi rejeitado por 19 votos a 12, e a CPMI encerrou seus trabalhos sem aprovação de um relatório final.




















