EDITORIAL
Políticos sul-mato-grossenses aliados do presidente Lula saíram das eleições deste ano sem os mandatos que buscavam. Entre os derrotados estão a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), a senadora Soraya Thronicke (PSB) e o ex-deputado federal Fabio Trad (PT). Agora, cargos no quarto governo do petista, mesmo de segundo ou terceiro escalão, podem se tornar uma tábua de salvação política.
Simone tentou voltar ao Senado, desta vez por São Paulo, mas ficou fora das duas vagas em disputa. Os eleitos foram Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), apoiados por Flávio Bolsonaro e pelo governador reeleito Tarcísio de Freitas. A derrota teve um agravante familiar: o marido dela, Eduardo Rocha (PSDB), também fracassou na tentativa de retornar à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Em dezembro de 2025, o MS em Brasília já alertava, em matéria das repórteres Larissa Arruda, de Brasília, e Brunna Salvino, de Campo Grande, que o casal Tebet caminhava para uma dupla derrota em 2026 (ver aqui). O prognóstico se confirmou nas urnas.
Soraya terminou em quarto lugar na tentativa de renovar o mandato. As duas cadeiras ficaram com o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos do PL.
Eleita em 2018 na onda bolsonarista, a senadora ficará sem mandato a partir de 2027. Seu futuro político pode passar por uma mudança de Estado, caminho já percorrido por Tebet — sem sucesso nas urnas paulistas. O resultado de Soraya em Mato Grosso do Sul expõe o desgaste de seu nome e torna uma eventual recuperação eleitoral especialmente difícil.
Simone tentou voltar ao Senado, desta vez por São Paulo, mas ficou fora das duas vagas em disputa. Os eleitos foram Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
Já Fabio Trad, que disputou o governo estadual pelo PT, foi derrotado no primeiro turno. O governador Eduardo Riedel (PP) conquistou a reeleição com 914.323 votos, equivalentes a 67,07% dos válidos. O neopetista não conseguiu sequer mobilizar a esquerda o suficiente para tornar a disputa competitiva: recebeu 322.807 votos, ou 23,68%. A vantagem de Riedel foi de 591.516 votos.
Outro que não conseguiu renovar o mandato foi o deputado federal Geraldo Resende (União Brasil). Com 31.714 votos, ficou na suplência. Sua aproximação com o governo Lula tampouco se traduziu em força nas urnas. Sem uma convocação para assumir a cadeira ou uma nomeação, poderá enfrentar um longo período longe dos espaços de poder.
Com Lula reeleito para um quarto mandato, a composição do próximo governo pode abrir espaço para aliados derrotados. O novo período no Planalto, contudo, poderá ser um dos mais turbulentos de sua trajetória.
A deterioração das contas públicas tende a cobrar medidas amargas, com risco de comprometer a atividade econômica. A conta das benesses eleitorais, estimada em mais de R$ 300 bilhões, chegará e será apresentada à população, que arcará com o peso da irresponsabilidade de Lula.
O neopetista Fabio Trad não conseguiu sequer mobilizar a esquerda o suficiente para tornar a disputa competitiva: teve apenas 23,68% dos votos
Para Simone, Soraya, Trad e Geraldo, uma nomeação representaria a chance de preservar influência e visibilidade sem o respaldo de um mandato eletivo. O alcance dessa sobrevida, porém, dependerá do cargo e do poder que ele oferecer.
No caso de Simone, uma eventual indicação ao Supremo Tribunal Federal dependeria de vaga na Corte, escolha presidencial e aprovação do Senado. A rejeição de Jorge Messias, em abril, mostrou que a vontade do Planalto, sozinha, não basta: foram 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Qualquer pretensão de Tebet ao Supremo também enfrentaria concorrência política. Messias, apesar da rejeição, ainda pode voltar a ser considerado. Rodrigo Pacheco e Gleisi Hoffmann são outros nomes mencionados nas articulações em torno da Corte.
A conta das benesses eleitorais, estimada em mais de R$ 300 bilhões, chegará e será apresentada à população, que arcará com o peso da irresponsabilidade de Lula
Se todos estiverem à frente nas preferências presidenciais, Simone teria uma longa espera. Essa “fila”, contudo, depende das conveniências do Planalto e pode mudar a qualquer momento.
Para Soraya, Trad e Geraldo, um posto na administração federal também poderia funcionar como abrigo contra o ostracismo. Mas ocupar um gabinete em Brasília não significa reconstruir uma base eleitoral em Mato Grosso do Sul.
As derrotas impuseram um revés expressivo a esse grupo. Se vierem, os cargos poderão garantir uma sobrevida política. Recuperar a confiança do eleitor será outra tarefa. A caneta presidencial pode entregar cargos; votos, só o eleitor.
























