ANTONIO CARLOS TEIXEIRA (*)
O elenco do Santos foi mal montado e o resultado está aí: um time que até joga bonito com Juan Pablo Vojvoda, mas que não faz gol nem por decreto. Futebol vistoso sem bola na rede é ilusão.
Mas o buraco é mais embaixo. Falta fibra. Falta sangue quente. Falta jogador que sinta na pele as injustiças que o Santos sofre em campo e reaja. Hoje, qualquer árbitro pisa na Vila Belmiro e faz o que quer.
Foi assim contra o Vitória: pênalti claro em Zé Rafael em cobrança de escanteio… e o que se ouviu? Apenas o próprio Zé e Luan Peres levantarem os braços timidamente.
O time inteiro tinha que ter cercado o juiz, exigido o VAR, feito pressão. Mas nada. Cabeça baixa, ombro caído, aquela apatia costumeira. Quando está perdendo, o Santos não tem nem quem cobre a cera adversária.
Falta jogador que sinta na pele as injustiças que o Santos sofre em campo e reaja
E não é de hoje. Lembram quando Neymar levou entrada criminosa contra o Atlético Mineiro, em Belo Horizonte? Ninguém se mexeu. Era lance pra revoltar um elenco inteiro.
A desculpa de sempre: “Ah, mas dá cartão.” E daí? É assim que se impõe respeito. Veja o Kannemann, do Grêmio. Em um jogo contra o Botafogo, o zagueiro viu o pênalti, foi pra cima do árbitro e exigiu o VAR. Com firmeza, sem baixaria. E o árbitro teve que rever.
Falta um Kannemann no Santos. Não falo pela técnica. Até acho o argentino um tanto violento em algumas jogadas, mas pela personalidade. Ele impõe respeito, coisa rara no futebol brasileiro, onde árbitros adoram se complicar e, muitas vezes, interferem diretamente no resultado.
Quantos pontos o Santos já deixou pelo caminho por erros de arbitragem sem que ninguém sequer se indignasse?
Falta um Kannemann no Santos. Não falo pela técnica. Até acho o argentino um tanto violento em algumas jogadas, mas pela personalidade
O Santos precisa de jogadores com “saco roxo”, daqueles que não aceitam ser passados pra trás.
Antes do Mundial de Clubes, já dissemos aqui: falta indignação. Falta inconformismo. E isso vale pra todo mundo — diretoria, comissão técnica e elenco.
Nada mudou. O Santos continua sendo vítima de árbitros de campo e de vídeo, e a CBF segue tranquila, sem um mísero questionamento à altura.
Enquanto isso, o torcedor sofre, o apito manda e o Santos, calado, obedece.
(*) Torcedor e sócio do Santos, jornalista, assessor em órgão público, pós-graduado em Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro pela Universidade Católica de Brasília (UCB) e especialista em Criptoativos – Rastreamento, Ilícitos Criminais e Tributários (RFB).



























