EDITORIAL
Candidato a governador pelo PT, Fabio Trad se irritou com declaração do governador Eduardo Riedel, candidato à reeleição pelo PP, de que Mato Grosso do Sul está no caminho certo para os próximos dez anos, desde que não apareça um “maluco” pela frente.
Trad classificou a postura de Riedel como “arrogante” e disse estar incomodado com a ideia de que quem pensa diferente possa ser chamado de “maluco”.
A declaração do governador, contudo, revela uma preocupação compreensível: a possibilidade de um eventual governo de orientação radical romper o ciclo de desenvolvimento que levou Mato Grosso do Sul a crescer acima da média nacional nos últimos anos e a melhorar seus indicadores econômicos e sociais.
A declaração do governador, contudo, revela uma preocupação compreensível: a possibilidade de um eventual governo de orientação radical romper o ciclo de desenvolvimento
No primeiro debate para o Governo do Estado promovido segunda-feira (17) pela Morena FM e pelo site Primeira Página, ambos do Grupo Zahran, os adversários de Riedel tiveram dificuldades para apresentar e, principalmente, detalhar propostas para o Estado.
Riedel não participou do encontro porque, no mesmo horário, presidia reunião do Consórcio Brasil Central, formado por Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Rondônia, Tocantins e Maranhão.
De 2015 para cá, período que compreende as duas gestões de Reinaldo Azambuja e o primeiro mandato de Eduardo Riedel, Mato Grosso do Sul alcançou um ritmo de crescimento socioeconômico nunca observado em sua história.
De 2015 para cá, Mato Grosso do Sul alcançou um ritmo de crescimento socioeconômico nunca observado em sua história
É nesse contexto que a declaração de Riedel deve ser analisada. Seus adversários questionam, em diferentes graus, políticas adotadas nos últimos anos para a atração de investimentos privados, e esse debate precisa ser aprofundado durante a campanha.
Um dos pontos centrais é a concessão de incentivos fiscais para estimular grupos nacionais e internacionais a instalar indústrias no Estado, com geração de empregos, aumento da atividade econômica e melhoria da renda dos trabalhadores.
Desde 2015, Mato Grosso do Sul recebeu investimentos que, segundo números divulgados pelo governo estadual, aproximam-se de R$ 100 bilhões.
Cabe a Fabio Trad e aos demais adversários de Eduardo Riedel explicar com clareza o que pretendem fazer com essas políticas caso cheguem ao governo. Criticar o modelo é legítimo. Mas é preciso apresentar uma alternativa e demonstrar que ela será capaz de preservar investimentos, empregos e crescimento econômico.
Cabe a Fabio Trad e aos demais adversários de Eduardo Riedel explicar com clareza o que pretendem fazer com essas políticas caso cheguem ao governo
O Estado não pode correr o risco de transformar divergência política em hostilidade ao capital privado. Grandes investimentos ajudaram Mato Grosso do Sul a deixar uma posição secundária no cenário econômico nacional e a se tornar uma das economias em expansão no País.
Pode-se discutir a forma, os incentivos concedidos, as contrapartidas exigidas e até aperfeiçoar o modelo. O que não parece razoável é simplesmente desmontar uma estratégia que vem produzindo resultados sem apresentar outra capaz de substituí-la.
Queiram ou não os adversários, as últimas gestões acertaram ao estabelecer um rumo para Mato Grosso do Sul: crescimento econômico associado à atração de investimentos e à busca por melhores condições de vida para a população.
É justamente esse patrimônio que precisa estar no centro do debate eleitoral.
E talvez seja esse o verdadeiro sentido da preocupação manifestada por Riedel: Mato Grosso do Sul pode discutir como avançar ainda mais. O que não pode é correr o risco de andar para trás.
























