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Home Editorial

A um ano das eleições, Campo Grande segue presa ao ‘jeito Trad’ de administrar

Adriane Lopes preferiu o oba-oba do antecessor ao modelo de gestão austera implementado por Azambuja e Riedel, que mudou os rumos de MS

REDAÇÃO Por REDAÇÃO
17 de outubro de 2023
em Editorial, Opinião
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A um ano das eleições, Campo Grande segue presa ao ‘jeito Trad’ de administrar

Prefeita Adriane Lopes teve chance de mudar a forma de comandar a Capital, mas preferiu manter estilo pirotécnico de Marquinhos Trad (Foto: Divulgação)

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EDITORIAL

Campo Grande é uma das capitais mais ricas e promissoras do país, onde a força do agronegócio e mais recentemente do processo de agroindustrialização no seu entorno a empurram para além de suas fronteiras. Deixa para trás 15 capitais em relação à renda per capita, próxima de R$ 2.000, segundo estudo do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social).

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É também a 7ª melhor capital para se viver, segundo levantamento da Consultoria Macroplan. Bons indicadores que se perdem em meio a tanta incompetência da atual e de gestões anteriores.

Com a renúncia de Marquinhos Trad (PSD) do cargo de prefeito em abril de 2022, pensou-se que a sucessora Adriane Lopes (PP) daria seu toque no comando da prefeitura. Que nada! Manteve o jeito Trad de governar, com gastanças, festas e irresponsabilidade fiscal.

A situação de Campo Grande só piorou. A expectativa era de que Lopes anunciasse medidas de austeridade tão logo fosse concluído o segundo turno da eleição estadual.

Entre as medidas aguardadas — e que nunca vieram — estavam a demissão de pelo menos 20% dos comissionados de Trad, redução do custeio da máquina, plano de ação para conclusão de obras paradas e início de outras necessárias, pente-fino em programas sociais e profunda análise dos contratos de obras públicas, entre outras.

Adriane manteve o jeito Trad de governar, com gastanças, festas e irresponsabilidade fiscal. A situação de Campo Grande só piorou

A um ano das eleições de 2024, Adriane Lopes começou a estourar fogos. É como se o município tivesse feito o dever de casa e agora estivesse buscando recuperar o tempo perdido. Marketing apenas. A prefeita chegou inclusive a anunciar a construção de hospital do município.

De 2019 para cá, o MS em Brasília tem publicado reportagens com dados oficiais sobre a situação de Campo Grande, extraídos de estudos e levantamentos do Tesouro Nacional.

O número mais preocupante, negligenciado cinco anos por Marquinhos Trad e agora por Adriane Lopes: a prefeitura está a 1,36 ponto percentual de gastar mais do que arrecada. Atualmente, compromete 98,65% das suas receitas com despesas fixas. É como um chefe de família, mulher ou homem, que recebe R$ 1.000 e compromete R$ 986,50 com despesas fixas. De duas, uma: ou reduz o gasto fixo, ou aumenta a renda.

Significa muito mais: o município não tem dinheiro nem para dar contrapartida a obras do Estado e da União. Enquanto isso, ve-se a prefeita anunciar “boa nova” todos os dias. Somente no papel.

Campo Grande, com Marquinhos Trad, virou cidade festiva. Adriane Lopes seguiu esse modelo. Sairá candidata à reeleição apoiada pela senadora Tereza Cristina, presidente regional do PP. É pouco. Se o eleitor campo-grandense voltar há exatamente um ano, saberá que a régua do debate eleitoral subiu, empurrada pelo preparo técnico do então candidato a governador Eduardo Riedel (PSDB).

Se o eleitor voltar há exatamente um ano, saberá que a régua do debate eleitoral subiu, empurrada pelo preparo técnico do então candidato a governador Eduardo Riedel

Outsider (candidato que disputa eleição pela primeira vez, sem laços com a política), Riedel valorizou a sucessão de Reinaldo Azambuja (PSDB), indicando ao eleitor que conhecia os pormenores dos problemas de Mato Grosso do Sul e que tinha soluções viáveis e exequíveis para todos eles.

Por ora, único candidato que parece seguir na direção indicada por Riedel é justamente o veteraníssimo ex-governador e ex-prefeito de Campo Grande, ambos por dois mandatos, André Puccinelli (MDB). É o pré-candidato que mais conhece a cidade e o que mais tem estudado seus problemas.

O ex-deputado Capitão Contar (PRTB), que ficou em segundo lugar para governador, cujo recall é o melhor entre os possíveis pré-candidatos, está fora do debate sobre os problemas locais. Não se sabe se segue a uma estratégia, mas a falta dele surpreende.

O deputado federal Beto Pereira é pré-candidato do PSDB. Foi prefeito de Terenos, cidade que é menor do que a maioria dos bairros de Campo Grande. Em Brasília, teve primeiro mandato apagado. No segundo, iniciado em fevereiro de 2023, apareceu no noticiário nacional por ter viajado a Marrocos com o filho para assistir ao Flamengo no mundial da Fifa. Sem problema, se o parlamentar não tivesse comunicado à Câmara dos Deputados que viajara em “missão oficial” para não ter os dias de falta descontados do salário. Mau presságio.

Por ora, único candidato que parece seguir na direção indicada por Riedel é justamente o veteraníssimo ex-governador e ex-prefeito de Campo Grande, ambos por dois mandatos, André Puccinelli

A ex-deputada federal Rose Modesto (União) é um Lula do período de 1985-2000. Aparece em todas as pesquisas, mas, na hora de apresentar suas ideias, a coisa não flui. Será sempre a morena simpática, de longos cabelos pretos, com vazio de ideias, apelando ao sentimentalismo.

Anunciada como pré-candidata do PT, a deputada federal Camila Jara terá imensas dificuldades para explicar seu apoio a pautas que o eleitorado conservador da Capital refuta, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao grupo terrorista Hamas.

Terá ainda o peso de ser aliada de Lula, egresso do sistema prisional, de onde saiu apenas porque o Supremo Tribunal Federal entendeu que ele fora julgado fora do seu domicílio. Será ainda confrontada por não ter experiência administrativa para comandar cidade devastada justamente por prefeitos inexperientes.

Há possibilidade de outras pré-candidaturas, como a do deputado estadual Lucas de Lima (PDT), radialista com tom de voz meloso, próprio “para apaixonados”. Para azar dele, a Capital já experimentou profissional do rádio no cargo de prefeito. Péssima experiência.

A deputada federal Camila Jara (PT) terá imensas dificuldades para explicar seu apoio a pautas que o eleitorado conservador do Estado refuta, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e ao grupo terrorista Hamas

Por fim, o deputado federal mais votado em 2022, Marcos Pollon (PL), com sua pauta única: armar a população. O parlamentar até que tenta mudar o foco de sua atuação, mas sempre termina em ação sobre clubes de tiro, porte, posse e registro de armas, entre outras medidas. No fundo, tem um propósito: tirar Capitão Contar da disputa, evitando o fortalecimento do ex-deputado com vistas a 2026. Sim, é fato: as eleições municipais terão essa função também.

Tags: administraçãoadministraradriane lopesAndréBetocamilacampo grandecapitalcontar]Eduardo RiedeleleiçõesgestãogovernadorLucasmarquinhos tradmodelopollonReinaldo AzambujaRoseTereza Cristina
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