LARISSA ARRUDA | DE BRASÍLIA
O deputado federal Dagoberto Nogueira deixou o PSDB e deve se filiar ao PP, partido presidido em Mato Grosso do Sul pela senadora Tereza Cristina. A movimentação tem o aval da parlamentar.
Dagoberto foi secretário estadual nas gestões do governador Zeca do PT em Mato Grosso do Sul (1999-2006) e atuou como diretor regional da União Nacional dos Estudantes (UNE), mantendo uma trajetória historicamente vinculada ao PT. No cenário nacional, alinhou-se de forma consistente aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
Em 2022, diante do risco de a legenda não alcançar votos suficientes para eleger um deputado, deixou o PDT, presidido por Carlos Lupi, e migrou para o PSDB, pelo qual foi reeleito com votos majoritariamente oriundos do eleitorado de direita.
No cenário nacional, alinhou-se de forma consistente aos governos de Lula e Dilma Rousseff
Na Câmara dos Deputados, no entanto, rapidamente se alinhou à base do governo Lula, repetindo um padrão de conveniência política (ver vídeo).
Mais recentemente, teve papel relevante na CPMI do INSS ao atuar para barrar a convocação de investigados por participação no esquema que desviou cerca de R$ 6 bilhões de aposentados, contribuindo para esvaziar o avanço das investigações (ver aqui e aqui).
A filiação ao PP escancara a fragilidade de critérios partidários ao abrigar parlamentares sem qualquer identidade com o campo político da legenda.
Na prática, legitima a estratégia de políticos que se elegem com votos da direita, mas atuam alinhados à esquerda no exercício do mandato.
A reportagem do MS em Brasília procurou a senadora Tereza Cristina na noite desta segunda-feira (30), mas não houve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.
Dagoberto teve papel relevante na CPMI do INSS ao atuar para barrar a convocação de investigados por participação no esquema
Internamente, a chegada de Dagoberto também tende a gerar tensão. O movimento pode afetar diretamente nomes da própria legenda, como o deputado federal Dr. Luiz Ovando, que mantém atuação coerente com as pautas da direita e poderá enfrentar concorrência interna ampliada.
Com a decisão, Tereza Cristina reforça uma estratégia que dilui as fronteiras ideológicas dentro do partido e que pode cobrar um preço alto nas urnas.





















