COLUNA VAPT-VUPT (*)
“A gente vai lançar um candidato para o Senado. Eu teria precedência para indicar esse nome. Não vai ter peixada. Não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho. Onde tivermos dúvidas, vamos fazer uma pesquisa no Estado.”
A declaração foi feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante entrevista concedida, em 22 de janeiro de 2025, ao canal Auri Verde Brasil, no YouTube (ver vídeo).
Com essas palavras, o principal líder da direita brasileira deixou claro que ele teria prioridade na definição dos nomes para a disputa ao Senado, mas que a escolha deveria obedecer a critérios objetivos, especialmente o desempenho em pesquisas eleitorais.
Bolsonaro também afirmou que, onde o partido não tivesse candidatos competitivos, apoiaria nomes de outras legendas alinhadas ao campo conservador.
“São pessoas que terão credibilidade. Não é um Senado que a gente quer para perseguir, mas é um Senado que irá se posicionar quando alguém estiver passando do limite”, acrescentou.
Em fevereiro deste ano, após a divulgação pela imprensa nacional de anotações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro indicando que Marcos Pollon teria solicitado R$ 15 milhões para não disputar determinado cargo (ver aqui), veio a público uma carta de apoio ao deputado federal, divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
“A gente vai lançar um candidato para o Senado. Eu teria precedência para indicar esse nome. Não vai ter peixada. Não vai ter cheguei na frente, sou amiguinho. Onde tivermos dúvidas, vamos fazer uma pesquisa no Estado.” — Ex-presidente Jair Bolsonaro sobre os candidatos ao Senado
A divulgação da mensagem foi interpretada por muitos como uma tentativa de conter os danos políticos provocados pelo episódio. Afinal, as anotações não partiram de adversários políticos de Pollon, mas do próprio filho do ex-presidente Bolsonaro.
Desde então, o parlamentar passou a agir como se já tivesse assegurada uma das vagas do PL na disputa ao Senado (ver vídeo mais recente aqui), apesar de apresentar desempenho inferior ao de outros nomes da direita sul-mato-grossense, como o ex-governador Reinaldo Azambuja e o ex-deputado Capitão Contar.
Com exceção de um levantamento do Instituto Veritá, posteriormente impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, Pollon aparece nas últimas posições entre os pré-candidatos ao Senado.
A proposta da direção nacional do PL segue justamente o critério defendido por Bolsonaro: definir candidaturas com base em pesquisas eleitorais.
A proposta da direção nacional do PL segue justamente o critério defendido por Bolsonaro
Ainda assim, Pollon parece disposto a conquistar a vaga no grito. Sabe que, ao menos neste momento, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar despontam como os nomes mais competitivos do partido.
Exigir espaço por força de influência política ou por proximidade com lideranças nacionais parece contrariar exatamente o método defendido pelo ex-presidente na entrevista ao canal Auri Verde Brasil.
Na prática, o deputado tenta utilizar uma carta de apoio para transformar uma preferência pessoal em candidatura consolidada, ignorando ou tentando atropelar pré-candidatos que, até aqui, demonstram maior competitividade eleitoral.
A postura também evidencia um histórico de divergências com a cúpula estadual e nacional do partido. Desde que passou a buscar cargos de maior projeção, Pollon protagonizou movimentos de confronto interno.
Em determinado momento, lançou-se pré-candidato à Prefeitura de Campo Grande. Depois, colocou-se como pré-candidato ao Governo do Estado. Agora, busca uma vaga ao Senado, mesmo diante de adversários internos mais bem posicionados nas pesquisas.
Na prática, o deputado tenta utilizar uma carta de apoio para transformar uma preferência pessoal em candidatura consolidada
O ex-senador Waldemir Moka, presidente estadual do MDB, costuma defender que, quando não há consenso sobre determinado caminho, o método mais justo é consultar a vontade da maioria. Em política, isso significa ouvir o eleitor.
É exatamente esse o procedimento que o PL tenta adotar neste momento ao recorrer às pesquisas para definir seus nomes.
O problema é que Pollon parece querer partir de uma condição privilegiada dentro da disputa interna. Caso isso ocorra, o partido corre o risco de abrir espaço para que uma das vagas ao Senado seja conquistada por candidatos de outros campos políticos, conforme indicam levantamentos recentes.
Também não se sustenta o argumento de que sua eleição para deputado federal provaria a possibilidade de uma reviravolta semelhante. Disputas proporcionais e majoritárias obedecem a lógicas distintas. Surpresas são relativamente comuns para deputado. Já em eleições para governador, prefeito de grandes cidades ou senador, elas costumam ser muito mais raras.
Disputas proporcionais e majoritárias obedecem a lógicas distintas. Surpresas são relativamente comuns para deputado
Partidos políticos existem para defender projetos coletivos, não ambições individuais. Ao insistir em uma candidatura construída mais na pressão do que nos números, Marcos Pollon acaba tentando ser justamente o “peixe” e o “amigo” que Jair Bolsonaro afirmou não querer privilegiar na escolha dos candidatos ao Senado.
(*) Vapt-Vupt é uma coluna do MS em Brasília com opiniões sobre determinado fato de interesse público
























